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IFRS 18/CPC 51 e o EBITDA: o que o caso da Ambev revela

O EBITDA continuará relevante, mas a nova estrutura das demonstrações aumenta a exigência de reconciliação, consistência e transparência.

O EBITDA se consolidou como uma das métricas mais utilizadas em valuation, análise de crédito, covenants, remuneração variável e comunicação com investidores. A IFRS 18 e o CPC 51 não eliminam esse indicador, mas mudam o ambiente em que ele será apresentado e interpretado.

O que muda na demonstração do resultado

A IFRS 18 substitui a IAS 1 e introduz uma estrutura mais padronizada para apresentação e divulgação. No Brasil, o CPC 51 foi aprovado em 2025 e divulgado em janeiro de 2026, com correlação à norma internacional.

A DRE passa a organizar receitas e despesas em categorias definidas e a apresentar subtotais requeridos, ampliando a comparabilidade entre empresas e períodos.

  • Categoria operacional.
  • Categoria de investimento.
  • Categoria de financiamento.
  • Tributos sobre o lucro e operações descontinuadas.
  • Subtotais padronizados, incluindo lucro operacional e lucro antes de financiamento e tributos sobre o lucro.

O EBITDA deixa de ser livre?

A norma não proíbe EBITDA ajustado nem outras métricas gerenciais. Porém, determinadas medidas usadas nas comunicações públicas e que expressem a visão da administração podem ser enquadradas como Medidas de Desempenho Definidas pela Administração — as MPMs.

Quando uma medida estiver no escopo das MPMs, a empresa precisará explicar por que ela é útil, como foi calculada e como se reconcilia com o subtotal IFRS mais diretamente comparável. Isso reduz espaço para ajustes pouco transparentes e mudanças de critério sem justificativa.

O exemplo da Ambev

No exercício ilustrativo publicado originalmente pela LX com base nos dados do 1T26, a Ambev divulgou receita líquida de aproximadamente R$ 22,5 bilhões, EBITDA ajustado de R$ 7,555 bilhões e margem de 33,6%.

A reconstrução partiu do lucro operacional e adicionou depreciação e amortização, chegando a um EBITDA reconciliado próximo de R$ 7,592 bilhões. A diferença de aproximadamente R$ 36,5 milhões evidencia o ponto central: ajustes não usuais precisam ser identificados, reconciliados e tecnicamente sustentados.

O exemplo é ilustrativo e não representa uma demonstração oficial da companhia preparada sob IFRS 18.

Por que isso importa para CFOs e empresas

  • Covenants e contratos podem depender de definições específicas de EBITDA.
  • Valuation e múltiplos exigirão maior consistência entre períodos.
  • Bônus e metas precisarão estar alinhados às métricas formalmente documentadas.
  • Relatórios gerenciais e demonstrações financeiras deverão conversar entre si.
  • A trilha de evidências dos ajustes ganhará importância para auditoria e governança.

Preparação prática

A adequação começa antes da data de adoção: inventário das métricas divulgadas, reconstrução da DRE, identificação das MPMs, revisão de políticas, sistemas, controles e comunicação com bancos e investidores.

Referências oficiais

CPC 51 — Comitê de Pronunciamentos ContábeisIFRS 18 — IFRS Foundation

Conteúdo originalmente publicado no Blog da LX e revisado em agosto de 2026.

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